1,2 mil crianças desaparecem por ano em SP
O menino Charles Oliveira Duarte da Silva, de 4 anos, não tinha área de lazer para brincar. A avó Roseli Maria Duarte, de 49 anos, e a tia Cinthia, de 17, se revezavam para cuidar do garoto em uma casa simples, à beira de um córrego, no Jardim Rincão, Zona Norte de São Paulo. No dia 7 de outubro, Charles foi à escola, passou um dia tranquilo, como atesta a professora na agenda do menino. Já em casa, fugiu aos olhos da tia. Passou da porta para fora. O corpo do garoto foi encontrado dentro do córrego, a 500 metros de sua casa. Foram requisitados exames necroscópio e sexológico. O caso foi registrado como morte suspeita.
O drama vivido pela família do pequeno Charles durante cinco dias é uma realidade que atinge milhares de outras famílias em São Paulo. E, muitas vezes, o final também é trágico.
Somente em setembro a Delegacia de Pessoas Desaparecidas de São Paulo registrou 142 casos de sumiço de crianças de 0 a 12 anos no estado. Por ano, há quase 1,2 mil casos de menores nessa faixa etária vítimas de desaparecimento.
O número equivale a 7% de todas as pessoas desaparecidas. Crianças de 0 a 7 anos são mais difíceis de serem localizadas, pois têm maior dificuldade em comunicar o problema, um endereço e até de pedir socorro.
A delegada Maria Helena do Nascimento, titular da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, faz um alerta para cuidados redobrados quando os pais ou responsáveis circulam com crianças pequenas em locais de grande aglomeração de gente.
“É comum ver mães com três crianças passeando pela Rua 25 de Março: uma no colo, outras duas ao lado, sacolas. O risco é alto de desaparecimento. O ideal é ter total visão e acesso à criança. E, de preferência, é interessante que se coloque uma pulseirinha identificadora no braço do menor, com o nome dele, telefone e contato da mãe”, afirma.
Em fórum de discussão sobre o tema, a policial sugeriu que houvesse campanhas para que todos os pais fizessem RG dos filhos ao nascer. “Montaríamos um banco de dados com digitais ou marcas das palmas”, diz Maria Helena.

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