Sexo não tem idade para acabar proteção também não
Dados fazem parte de pesquisa do Ministério da Saúde. Campanha de prevenção à aids no carnaval irá responder a essa realidade
Mulheres acima dos 50 anos não têm o hábito de usar preservativo, nem mesmo nas relações eventuais. Dados parciais de pesquisa de comportamento realizada pelo Ministério da Saúde em 2008 apontam que 72% das brasileiras nessa faixa etária não usam camisinha com parceiros casuais. Para alertar sobre os riscos do comportamento, o Ministério da Saúde, em conjunto com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, lançou na sexta-feira, 13/02, a campanha de prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis no Carnaval 2009, com o slogan “Sexo não tem idade para acabar. Proteção também não”.
“Acendeu uma luz vermelha e, em saúde pública, a gente enfrenta isso com informação de qualidade” alertou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O lançamento aconteceu na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. Estiveram presentes mulheres de comunidades carentes do Rio de Janeiro e artistas do samba, que formaram uma roda de samba totalmente feminina. Temporão e Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, fizeram a apresentação dos dados e das peças da campanha.
A pesquisa de comportamento revelou ainda que mais da metade delas (55,3%) é sexualmente ativa. O problema é na hora de se prevenir. Enquanto o uso regular de camisinha nas relações casuais no grupo de 15 a 49 anos fica em 47,5%; nos mais velhos, esse índice é de apenas 34,8%. O recorte por sexo mostra que o público feminino está em situação mais vulnerável. Só 28% das “cinquentonas” e mais velhas adotam a prevenção. Entre os homens, o número sobe para 36,9%.
“É preciso conscientizá-las que esse é um comportamento de risco para elas, como para qualquer parcela da população”, afirma o ministro da Saúde, referindo-se ao aumento da incidência de aids nesse segmento. Entre mulheres acima de 50 anos a taxa mais que triplicou em dez anos. Em 1996 havia de 3,7 casos por 100 mil habitantes; em 2006, o índice já era 11,6.
De acordo com a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, a campanha trabalha para ampliar o direito das mulheres à saúde. “Sabemos de suas dificuldades para negociar o uso do preservativo com os parceiros. Com essa ação, queremos fortalecê-las para que possam ter condições de exercer a sexualidade de forma mais segura”, ressalta.
“É importante acabar com o estereótipo de que as mulheres com mais de 50 anos não têm vida sexual ativa. Por essa razão, o foco da campanha de carnaval deste ano está voltado para as mulheres maduras. É preciso cada vez mais incentivar as mulheres a exigir do parceiro o uso de preservativo”, explica a ministra Nilcéa Freire.
Peças publicitárias – O mote da campanha, que terá peças para TV e rádio, além de materiais impressos mobiliário urbano, é o “Bloco da Mulher Madura”. Formado apenas por mulheres acima dos 50 anos, o grupo valoriza o sexo seguro. “Homem sem camisinha a gente não atura, nem para uma aventura”, diz uma das protagonistas no filme de 30 segundos.
O tema do carnaval deste ano dá continuidade à campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids 2008, lançada no 1º de dezembro, que teve como foco os homens com mais de 50 anos. Entre eles, o uso de camisinha também é baixo. Na pesquisa realizada em 2008, 63% afirmam não ter o costume de utilizar camisinha nas relações eventuais.
O Ministério da Saúde desenvolveu a campanha criativa e as coordenações estaduais e municipais de DST e aids ficaram responsáveis pela impressão do material gráfico. A iniciativa faz parte da descentralização das ações, por meio do repasse específico de verba para ações de comunicação. No site do Programa Nacional de DST e Aids, há uma página específica – www.aids.gov.br/carnaval – para notícias relacionadas às campanhas locais de carnaval.
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